Falsos Angolanos
Ser angolano não é nascer necessariamente em Angola, ser angolano é amar Angola com as suas virtudes, mas também com os seus defeitos.
Conheço muitos negros, mulatos e brancos nascidos em Angola e que por isso se consideram angolanos, que só falam maravilhas da Angola portuguesa e só falam mal da Angola de hoje a independente, a verdadeira, a genuína. Estes não são angolanos, mas portugueses nascidos em Angola.
Conheço negros, brancos e mulatos, alguns apenas viveram em Angola, outros nasceram lá mas não vivem lá. Estes falam da Angola Portuguesa com o realismo histórico, mas falam sobretudo da Angola de hoje com entusiasmo e esperança, próprio de quem ama de forma incondicional a sua terra de coração. Esses são os Angolanos, nascidos e não nascidos em Angola.
Como distinguimos uns dos outros?
É fácil, basta estarmos atentos ao discurso. Por exemplo:
Enaltecer os grandes feitos dos portugueses militares que estiveram em Angola ou dizer que não havia racismo e a prova era os filhos de muitos brancos com negras ou dizer que agora é que há exploração dos negros, ou dizer que agora é que os negros vivem mal ou dizer que no tempo deles os negros viviam melhor ou dizer que os negros tinham exactamente as mesmas oportunidades que os brancos ou ainda considerar a escravatura portuguesa como boa e menos má comparada com a de outros países. Este tipo de discurso é próprio dos portugueses nascidos em Angola
Estes portugueses não aceitam que não há escravatura boa ou menos má porque escravatura é escravatura, ponto. Também não aceitam que foram os portugueses que inventaram a escravatura transatlântica, e essa nódoa, ninguém tira aos portugueses. Por norma ignoram que a escravatura perdurou ao longo do século XX mas, com outro nome – contratados. Ignoram também que hoje os negros nas escolas públicas são maioria e no tempo colonial eram minoria. Também lhes custa aceitar o actual desenvolvimento de Angola, porque tal facto deita por terra um velho pensamento racista – sem os brancos Angola está condenada ao fracasso e à miséria.
Não é difícil identificar os falsos angolanos!
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Devido à ignorância de muitos colonos
Devido à ignorância de muitos colonos, estes faziam uma distinção entre os povos do sul de Angola com os do norte. Não interessa para o caso, especificar as diferenças que muitos colonos apresentavam, porque o importante é informar correctamente e desmistificar estereótipos criados pelos colonos.
Desde já, de norte a sul de Angola dominava esmagadoramente o Povo Banto, este subdivide-se em dezenas de subétnias, que por sua vez também de se subdividem em centenas de pequenos grupos étnicos.
Por outro lado, os povos bantu de Angola se misturaram e casaram entre si, contudo, havia grupos mais fechados e por isso menos propensos a contraírem matrimónio fora do seu grupo étnico.
Por fim, o trafico de escravos e a deslocação (no século XX) forçada dos contratados paras as grandes fazendas fez com que a mistura entre os muitos grupos étnicos fosse inevitável
Por isso, há muito que não é possível um indivíduo de Angola (com excepções pontuais) dizer que é deste ou daquele grupo étnico ele é simplesmente – angolano.
No entanto foram essencialmente três grupos étnicos que no passado se destacaram e influenciaram Angola: ovimbundo, quioco e jaga.
Por exemplo o século XIX foi a idade de ouro do monopólio comercial ovimbundo, desde Benguela ao Alto-Zambeze. A cera o marfim, a giesta, os escravos e a borracha era os grandes negócios deste grupo étnico. Nesse período via-se caravanas de comerciantes ovimbundos que iam de Benguela e Catumbela até ao planalto e por isso tornaram-se mais competitivos comercialmente em relação a outros grupos étnicos e também em relação aos sertanejos portugueses.
Desde já, de norte a sul de Angola dominava esmagadoramente o Povo Banto, este subdivide-se em dezenas de subétnias, que por sua vez também de se subdividem em centenas de pequenos grupos étnicos.
Por outro lado, os povos bantu de Angola se misturaram e casaram entre si, contudo, havia grupos mais fechados e por isso menos propensos a contraírem matrimónio fora do seu grupo étnico.
Por fim, o trafico de escravos e a deslocação (no século XX) forçada dos contratados paras as grandes fazendas fez com que a mistura entre os muitos grupos étnicos fosse inevitável
Por isso, há muito que não é possível um indivíduo de Angola (com excepções pontuais) dizer que é deste ou daquele grupo étnico ele é simplesmente – angolano.
No entanto foram essencialmente três grupos étnicos que no passado se destacaram e influenciaram Angola: ovimbundo, quioco e jaga.
Por exemplo o século XIX foi a idade de ouro do monopólio comercial ovimbundo, desde Benguela ao Alto-Zambeze. A cera o marfim, a giesta, os escravos e a borracha era os grandes negócios deste grupo étnico. Nesse período via-se caravanas de comerciantes ovimbundos que iam de Benguela e Catumbela até ao planalto e por isso tornaram-se mais competitivos comercialmente em relação a outros grupos étnicos e também em relação aos sertanejos portugueses.
Democracia Popular no Reino Ovimbundo
Democracia Popular no Reino Ovimbundo
Os reis ovimbundo eram considerados divinos, contudo havia um considerável exercício de democracia popular. Por exemplo os conselheiros do rei, normalmente anciãos respeitados, não só escolhiam o sucessor, como também influenciavam toda a estrutura social do reino, nomeadamente no sucessor de um rei falecido.
Esta estrutura organizacional dos ovimbundos só foi «desmantelada» em finais do século XIX, com a consolidação da ocupação do território angolano por parte de Portugal. Assim, os Reis Ovimbundo passaram a ter apenas um «peso» simbólico. Havia cerca de 22 reinos ovimbundos.
Os ovimbundos entraram numa nova era no inicio do século XX, já que, os vários reis passaram a ser directa ou indirectamente designados pelas autoridades portuguesas.
Os reis ovimbundo eram considerados divinos, contudo havia um considerável exercício de democracia popular. Por exemplo os conselheiros do rei, normalmente anciãos respeitados, não só escolhiam o sucessor, como também influenciavam toda a estrutura social do reino, nomeadamente no sucessor de um rei falecido.
Esta estrutura organizacional dos ovimbundos só foi «desmantelada» em finais do século XIX, com a consolidação da ocupação do território angolano por parte de Portugal. Assim, os Reis Ovimbundo passaram a ter apenas um «peso» simbólico. Havia cerca de 22 reinos ovimbundos.
Os ovimbundos entraram numa nova era no inicio do século XX, já que, os vários reis passaram a ser directa ou indirectamente designados pelas autoridades portuguesas.
terça-feira, 13 de julho de 2010
ETNIA CHICORONHO
Lá de longe, vieram as minhas origens
Terra apelidada de pérola do oceano
Com bravura e coragem embarcaram
Em direcção ao desconhecido
Que sobretudo era temido
Pelas mitológicas histórias
Mesmo assim duzentas e vinte e duas almas partiram
Num Outubro, chuvoso de dor
Dor de quem partia
Desespero de quem ficava
Por uma separação que amargava
Com lágrimas de sangue
O Índia desapareceu
No horizonte do oceano atlântico
Para os que partiram
A pérola do atlântico desaparecia
Mas surgia no horizonte a conhecida jóia da coroa
Situada do outro lado do hemisfério
Hemisfério sul, onde tudo era mistério.
Novembro foi o mês
Que a nova terra os conheceu
Moçamedes, assim se chamava desde 1849
Não seria aí que o grupo ficaria
Homens, mulheres e crianças
Partiram a pé pela savana dentro
Ajudados por carros bóeres
E nada mais
Escalaram ao sol
Com a dor da saudade dos entes queridos
Que ficaram para trás sofridos
Na véspera de natal chegaram ao seu destino
Em condições de facilmente perder o tino
Porque suas moradas mais não eram que barracões
Que lhes fez doer os corações
A promessa foi uma
A realidade foi outra
Não desanimaram
Porque àquela terra amaram
Em poucos anos
Chegaram mais conterrâneos
Juntos tomaram aquela terra como sua
Muitos enrolaram-se e juntaram-se com os muílas
Mal amados pelo omuputu
Estimados pelos muilas
O Omuputu tratava-o por colono
Por não terem direito ao seu nome
O muila apelidou de chicolonio
De tribo branca também foram chamados no Puto
Venceram os desafios
Porque na Huíla não estavam sozinhos
Os muilas foram seus amigos
E com eles surgiu a nova etnia
A mais recente de África - CHICORONHO
Terra apelidada de pérola do oceano
Com bravura e coragem embarcaram
Em direcção ao desconhecido
Que sobretudo era temido
Pelas mitológicas histórias
Mesmo assim duzentas e vinte e duas almas partiram
Num Outubro, chuvoso de dor
Dor de quem partia
Desespero de quem ficava
Por uma separação que amargava
Com lágrimas de sangue
O Índia desapareceu
No horizonte do oceano atlântico
Para os que partiram
A pérola do atlântico desaparecia
Mas surgia no horizonte a conhecida jóia da coroa
Situada do outro lado do hemisfério
Hemisfério sul, onde tudo era mistério.
Novembro foi o mês
Que a nova terra os conheceu
Moçamedes, assim se chamava desde 1849
Não seria aí que o grupo ficaria
Homens, mulheres e crianças
Partiram a pé pela savana dentro
Ajudados por carros bóeres
E nada mais
Escalaram ao sol
Com a dor da saudade dos entes queridos
Que ficaram para trás sofridos
Na véspera de natal chegaram ao seu destino
Em condições de facilmente perder o tino
Porque suas moradas mais não eram que barracões
Que lhes fez doer os corações
A promessa foi uma
A realidade foi outra
Não desanimaram
Porque àquela terra amaram
Em poucos anos
Chegaram mais conterrâneos
Juntos tomaram aquela terra como sua
Muitos enrolaram-se e juntaram-se com os muílas
Mal amados pelo omuputu
Estimados pelos muilas
O Omuputu tratava-o por colono
Por não terem direito ao seu nome
O muila apelidou de chicolonio
De tribo branca também foram chamados no Puto
Venceram os desafios
Porque na Huíla não estavam sozinhos
Os muilas foram seus amigos
E com eles surgiu a nova etnia
A mais recente de África - CHICORONHO
terça-feira, 6 de julho de 2010
Quilengues está em festa.
O município de Quilengues dista cerca de 142 quilómetros a norte da cidade de Lubango e completa 140 anos desde a sua fundação, a 1 de Julho de 1870.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Ao longo do século XVI, inúmeras vagas de povos irromperam por Angola.
Ao longo do século XVI, inúmeras vagas de povos irromperam por Angola.
O Reino do Cassanje, composto pelos imbangala tiveram origem no Catanga, assaltaram o Ndongo após 1540 e alcançaram Luanda antes de 1576. Por volta do ano 1700 os Imbangala estabeleceram-se no vale do Cuango, onde se tornaram intermediários tenazes no comércio entre Lunda e os Portugueses na costa angolana.
O Reino de Cassanje conseguiu impor-se à penetração e domínio português até 1911-13, ano que foram subjugados militarmente pelos portugueses.
Da zona do Catanga vieram os povos jaga, que invadiram Angola na década de 1560. Estes eram nómadas, canibais e cruéis, os povos Jaga atacaram o Reino do Congo e do Ndongo e infiltraram-se em várias secções de Angola Central e Oriental.
Segundo Pélissier & Vheeler certos costumes jaga subsistem entre os ovimbundo e certos povos do planalto.
O já mencionados povos da Lunda foram atacados por volta de 1880 pelo povo rival – Quioco – que eram organizados e agressivos. Por volta de 1900 tinham destruído o reino da Lunda.
Os quiocos era uma sociedade largamente matriarcal.
A través da guerra, do comércio, do casamento e de alianças, os quioco implementaram a sua cultura em diversos povos do nordeste e do leste de Angola.
No entanto, os comerciantes mais bem sucedidos do interior de Angola foram os povos ovimbundo. Estes povos ovimbundo deslocaram-se para Angola em grandes vagas entre 1500 e 1700. A unificação dos povos ovimbundo só ocorreu por volta do século XVII, na qual se constituíram cerca de 22 reinos.
O Reino do Cassanje, composto pelos imbangala tiveram origem no Catanga, assaltaram o Ndongo após 1540 e alcançaram Luanda antes de 1576. Por volta do ano 1700 os Imbangala estabeleceram-se no vale do Cuango, onde se tornaram intermediários tenazes no comércio entre Lunda e os Portugueses na costa angolana.
O Reino de Cassanje conseguiu impor-se à penetração e domínio português até 1911-13, ano que foram subjugados militarmente pelos portugueses.
Da zona do Catanga vieram os povos jaga, que invadiram Angola na década de 1560. Estes eram nómadas, canibais e cruéis, os povos Jaga atacaram o Reino do Congo e do Ndongo e infiltraram-se em várias secções de Angola Central e Oriental.
Segundo Pélissier & Vheeler certos costumes jaga subsistem entre os ovimbundo e certos povos do planalto.
O já mencionados povos da Lunda foram atacados por volta de 1880 pelo povo rival – Quioco – que eram organizados e agressivos. Por volta de 1900 tinham destruído o reino da Lunda.
Os quiocos era uma sociedade largamente matriarcal.
A través da guerra, do comércio, do casamento e de alianças, os quioco implementaram a sua cultura em diversos povos do nordeste e do leste de Angola.
No entanto, os comerciantes mais bem sucedidos do interior de Angola foram os povos ovimbundo. Estes povos ovimbundo deslocaram-se para Angola em grandes vagas entre 1500 e 1700. A unificação dos povos ovimbundo só ocorreu por volta do século XVII, na qual se constituíram cerca de 22 reinos.
Entre os anos 1300 e 1600 devido à diasporá dos Bantu estes invadiram e influenciaram para sempre Angola.
O conceituado arqueólogo e antropólogo J. Desmond Clark fez trabalho de campo no nordeste de Angola e não ficou inteiramente convencido que os Mucancalas tivessem sido os primeiros habitantes de Angola.
Contudo o mesmo não se pode dizer quem visitar o sudoeste de Angola. As cavernas existentes na Província do Namibe encontram-se pinturas dos Mucancalas.
O certo é que a etnia Bantu partindo de áreas nucleares do leste da Nigéria e , mais tarde da África Central migraram para sul por volta de 1200 anos d.C.
Entre os anos 1300 e 1600 devido á disporá dos Bantu estes invadiram e influenciaram para sempre Angola.
O Reino do Congo localizado a sul do rio com o mesmo nome, com a sua capital em Mbanza-Congo, talvez tenha sido na actual Angola o primeiro a definir a sua civilização e a alcançar uma unidade de grupo hierarquizada. ´
Os domínios dos reis do Congo foram divididos em seis províncias.
Uma descrição do século XVI (Pélissier &Vheeler) dizia que:
O Mani Congo vivia num palácio sumptuoso com inúmeros servos e escravos e que gostava de musica tocada por tamborileiros e homens com trompetes de marfim. O poder o Rei do Congo assentava na posse de escravos, de um exercito, de panos tecidos e conchas nzimbu. O Reino do Congo chegou a controlar cerca de um oitavo do actual território de Angola.
Contudo o mesmo não se pode dizer quem visitar o sudoeste de Angola. As cavernas existentes na Província do Namibe encontram-se pinturas dos Mucancalas.
O certo é que a etnia Bantu partindo de áreas nucleares do leste da Nigéria e , mais tarde da África Central migraram para sul por volta de 1200 anos d.C.
Entre os anos 1300 e 1600 devido á disporá dos Bantu estes invadiram e influenciaram para sempre Angola.
O Reino do Congo localizado a sul do rio com o mesmo nome, com a sua capital em Mbanza-Congo, talvez tenha sido na actual Angola o primeiro a definir a sua civilização e a alcançar uma unidade de grupo hierarquizada. ´
Os domínios dos reis do Congo foram divididos em seis províncias.
Uma descrição do século XVI (Pélissier &Vheeler) dizia que:
O Mani Congo vivia num palácio sumptuoso com inúmeros servos e escravos e que gostava de musica tocada por tamborileiros e homens com trompetes de marfim. O poder o Rei do Congo assentava na posse de escravos, de um exercito, de panos tecidos e conchas nzimbu. O Reino do Congo chegou a controlar cerca de um oitavo do actual território de Angola.
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