O Livro

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Apresentação do Livro CHICORONHO

Apresentação do Livro CHICORONHO
FNAC Almada - 17/04/2010

Apresentação do Livro CHICORONHO

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FNAC Algarve - 24/01/2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX (parte II)

Os representantes de Caluquembe exigiram ser recebidos pelo Governador Provincial, mas este considerou um enorme atrevimento e por isso negou-se em escuta-los.


Claro que o grupo não se deu por vencido e em contra-resposta ameaçaram ir a Luanda e falar com o Governador Geral de Angola, nesse momento o Governador Provincial recuou e deu ordem para entrar na sua sala.

Inicialmente o Governador estava muito relutante, mas quando soube do sucedido ficou muito irritado principalmente porque houve conivência de alguns chefes de posto.

Felizmente, por causa da atitude e união dos habitantes de Caluquembe os caçadores de homens nunca mais rondaram este povoado.

Importa esclarecer que este tipo de escravatura dava-se o nome pomposo de CONTRATADOS.

Nunca se deve branquear a história porque esse é o primeiro passo para no futuro se repetir os erros do passado.


Saliento que não se deve esconder a história, porque esta serve para compreender o presente e projectar o futuro, por outro lado, se nós angolanos, já conseguimos falar destes temas significa que já os ultrapassamos e por isso não há mais ressentimentos.

Só com a reconciliação com passado é possível abraçar o futuro.

Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX

Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX


Pode parecer inacreditável que ainda há pouco mais de cinquenta anos em Angola era ainda praticado a escravatura.

Uma esmagadora parte dos colonos viviam nas grandes cidades e por isso ainda hoje falam de uma Angola portuguesa (justa, igualitária, etc.) que nunca existiu!

Muitos destes colonos ainda hoje desconhecem os muitos «atropelos» que se faziam às pessoas e por isso contam a estória de Angola e não a história de Angola.

A estória dos colonos é a sua vivencia, sobretudo citadina e aí de facto a Angola portuguesa era multirracial e tolerante.

Por esse facto, por exemplo estes colonos pensam que por toda Angola portuguesa os negros tinham as mesmas condições de educação. Mas a realidade era outra, e é aí que entra a história de Angola - foram as missões católicas e protestantes que asseguraram em grande parte a educação dos negros( excepto nas cidades) e não o estado português.

Mas voltemos ao tema de hoje, à história da escravatura de Angola em pleno século XX.

Evidentemente que há cinquenta anos era um tipo de escravatura moderna e por isso os seus métodos eram mais sofisticados. Vou contar um episódio entre muitos que ocorriam no interior da Angola portuguesa.

Em 1960 na minha terra Caluquembe pela madrugada dezenas de negros foram bater à porta do mais velho em total desespero, estavam atormentados! As mulheres choravam dizendo, “querem levar os nossos maridos e os nossos filhos”. O meu avô ficou indignado com o que estava a suceder. No dia seguinte, o mais velho juntou um conjunto de pessoas e rumaram a Sá da Bandeira, actual Lubango, para denunciar aquela aberração (continua).

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Os Falsos Angolanos!

Falsos Angolanos


Ser angolano não é nascer necessariamente em Angola, ser angolano é amar Angola com as suas virtudes, mas também com os seus defeitos.

Conheço muitos negros, mulatos e brancos nascidos em Angola e que por isso se consideram angolanos, que só falam maravilhas da Angola portuguesa e só falam mal da Angola de hoje a independente, a verdadeira, a genuína. Estes não são angolanos, mas portugueses nascidos em Angola.

Conheço negros, brancos e mulatos, alguns apenas viveram em Angola, outros nasceram lá mas não vivem lá. Estes falam da Angola Portuguesa com o realismo histórico, mas falam sobretudo da Angola de hoje com entusiasmo e esperança, próprio de quem ama de forma incondicional a sua terra de coração. Esses são os Angolanos, nascidos e não nascidos em Angola.

Como distinguimos uns dos outros?

É fácil, basta estarmos atentos ao discurso. Por exemplo:

Enaltecer os grandes feitos dos portugueses militares que estiveram em Angola ou dizer que não havia racismo e a prova era os filhos de muitos brancos com negras ou dizer que agora é que há exploração dos negros, ou dizer que agora é que os negros vivem mal ou dizer que no tempo deles os negros viviam melhor ou dizer que os negros tinham exactamente as mesmas oportunidades que os brancos ou ainda considerar a escravatura portuguesa como boa e menos má comparada com a de outros países. Este tipo de discurso é próprio dos portugueses nascidos em Angola

Estes portugueses não aceitam que não há escravatura boa ou menos má porque escravatura é escravatura, ponto. Também não aceitam que foram os portugueses que inventaram a escravatura transatlântica, e essa nódoa, ninguém tira aos portugueses. Por norma ignoram que a escravatura perdurou ao longo do século XX mas, com outro nome – contratados. Ignoram também que hoje os negros nas escolas públicas são maioria e no tempo colonial eram minoria. Também lhes custa aceitar o actual desenvolvimento de Angola, porque tal facto deita por terra um velho pensamento racista – sem os brancos Angola está condenada ao fracasso e à miséria.

Não é difícil identificar os falsos angolanos!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Devido à ignorância de muitos colonos

Devido à ignorância de muitos colonos, estes faziam uma distinção entre os povos do sul de Angola com os do norte. Não interessa para o caso, especificar as diferenças que muitos colonos apresentavam, porque o importante é informar correctamente e desmistificar estereótipos criados pelos colonos.


Desde já, de norte a sul de Angola dominava esmagadoramente o Povo Banto, este subdivide-se em dezenas de subétnias, que por sua vez também de se subdividem em centenas de pequenos grupos étnicos.

Por outro lado, os povos bantu de Angola se misturaram e casaram entre si, contudo, havia grupos mais fechados e por isso menos propensos a contraírem matrimónio fora do seu grupo étnico.

Por fim, o trafico de escravos e a deslocação (no século XX) forçada dos contratados paras as grandes fazendas fez com que a mistura entre os muitos grupos étnicos fosse inevitável

Por isso, há muito que não é possível um indivíduo de Angola (com excepções pontuais) dizer que é deste ou daquele grupo étnico ele é simplesmente – angolano.

No entanto foram essencialmente três grupos étnicos que no passado se destacaram e influenciaram Angola: ovimbundo, quioco e jaga.

Por exemplo o século XIX foi a idade de ouro do monopólio comercial ovimbundo, desde Benguela ao Alto-Zambeze. A cera o marfim, a giesta, os escravos e a borracha era os grandes negócios deste grupo étnico. Nesse período via-se caravanas de comerciantes ovimbundos que iam de Benguela e Catumbela até ao planalto e por isso tornaram-se mais competitivos comercialmente em relação a outros grupos étnicos e também em relação aos sertanejos portugueses.

Democracia Popular no Reino Ovimbundo

Democracia Popular no Reino Ovimbundo


Os reis ovimbundo eram considerados divinos, contudo havia um considerável exercício de democracia popular. Por exemplo os conselheiros do rei, normalmente anciãos respeitados, não só escolhiam o sucessor, como também influenciavam toda a estrutura social do reino, nomeadamente no sucessor de um rei falecido.

Esta estrutura organizacional dos ovimbundos só foi «desmantelada» em finais do século XIX, com a consolidação da ocupação do território angolano por parte de Portugal. Assim, os Reis Ovimbundo passaram a ter apenas um «peso» simbólico. Havia cerca de 22 reinos ovimbundos.

Os ovimbundos entraram numa nova era no inicio do século XX, já que, os vários reis passaram a ser directa ou indirectamente designados pelas autoridades portuguesas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

ETNIA CHICORONHO

Lá de longe, vieram as minhas origens


Terra apelidada de pérola do oceano

Com bravura e coragem embarcaram

Em direcção ao desconhecido

Que sobretudo era temido

Pelas mitológicas histórias

Mesmo assim duzentas e vinte e duas almas partiram

Num Outubro, chuvoso de dor

Dor de quem partia

Desespero de quem ficava

Por uma separação que amargava

Com lágrimas de sangue

O Índia desapareceu

No horizonte do oceano atlântico

Para os que partiram

A pérola do atlântico desaparecia

Mas surgia no horizonte a conhecida jóia da coroa

Situada do outro lado do hemisfério

Hemisfério sul, onde tudo era mistério.

Novembro foi o mês

Que a nova terra os conheceu

Moçamedes, assim se chamava desde 1849

Não seria aí que o grupo ficaria

Homens, mulheres e crianças

Partiram a pé pela savana dentro

Ajudados por carros bóeres

E nada mais

Escalaram ao sol

Com a dor da saudade dos entes queridos

Que ficaram para trás sofridos

Na véspera de natal chegaram ao seu destino

Em condições de facilmente perder o tino

Porque suas moradas mais não eram que barracões

Que lhes fez doer os corações

A promessa foi uma

A realidade foi outra

Não desanimaram

Porque àquela terra amaram

Em poucos anos

Chegaram mais conterrâneos

Juntos tomaram aquela terra como sua

Muitos enrolaram-se e juntaram-se com os muílas

Mal amados pelo omuputu

Estimados pelos muilas

O Omuputu tratava-o por colono

Por não terem direito ao seu nome

O muila apelidou de chicolonio

De tribo branca também foram chamados no Puto

Venceram os desafios

Porque na Huíla não estavam sozinhos

Os muilas foram seus amigos

E com eles surgiu a nova etnia

A mais recente de África - CHICORONHO

terça-feira, 6 de julho de 2010

Quilengues está em festa.

O município de Quilengues dista cerca de 142 quilómetros a norte da cidade de Lubango e completa 140 anos desde a sua fundação, a 1 de Julho de 1870.