Quando estudamos a história de Angola devemos ter a serenidade de aceitar os factos.
O que aconteceu no tempo colonial, tem de ser analisado e contextualizado há época.
Quando se fala da descriminação, dos privilégios dos colonos da triste história dos contratados, temos de encarar tudo isto – colonos e colonizados, brancos e negros - não numa perspectiva de julgamento com base numa visão moderna porque isso é distorcer a própria história. Devemos apenas constatar os factos históricos. Por muito que custe a uns e outros, relatar, descrever a realidade do passado histórico de Angola, não é exorcizar fantasmas, mas sim evitar que eles nunca mais regressem.
Branquear a história é ocultar a verdade e isso é perigoso, porque impossibilita à humanidade de evitar erros do passado. O mundo está repleto de exemplos desses.
«Julgar o passado pelos seus aspectos negativos e encarando
prismas de acção modernos, traduz um falso pressuposto, porque nem
o passado deixa de ser motivo de reflexão, nem o presente consegue es-
conder a força histórica que agigantou um povo» *)
*) – Prof. Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, I vol.
1977, pág. 16.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Trinta e cinco anos
Trinta e cinco anos,
São os anos de libertação
Resultantes da opressão
Viva, viva
Viva a Independência
Viva a libertação
Viva o fim da colonização
Hoje as lágrimas correm
Não de dor
Nem de tirania
Hoje elas correm de alegria
Porque hoje a minha terra é livre
Já não há contratados
Apenas empregados
Viva , Viva
A minha terra é paixão
Seus povos são beleza de expressão
Sua natureza é maravilhosamente sufocante
Esta é a minha terra
Onde para o meu coração
Onde mora a emoção
Viva, viva
ANGOLA
São os anos de libertação
Resultantes da opressão
Viva, viva
Viva a Independência
Viva a libertação
Viva o fim da colonização
Hoje as lágrimas correm
Não de dor
Nem de tirania
Hoje elas correm de alegria
Porque hoje a minha terra é livre
Já não há contratados
Apenas empregados
Viva , Viva
A minha terra é paixão
Seus povos são beleza de expressão
Sua natureza é maravilhosamente sufocante
Esta é a minha terra
Onde para o meu coração
Onde mora a emoção
Viva, viva
ANGOLA
sábado, 30 de outubro de 2010
Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX (parte II)
Os representantes de Caluquembe exigiram ser recebidos pelo Governador Provincial, mas este considerou um enorme atrevimento e por isso negou-se em escuta-los.
Claro que o grupo não se deu por vencido e em contra-resposta ameaçaram ir a Luanda e falar com o Governador Geral de Angola, nesse momento o Governador Provincial recuou e deu ordem para entrar na sua sala.
Inicialmente o Governador estava muito relutante, mas quando soube do sucedido ficou muito irritado principalmente porque houve conivência de alguns chefes de posto.
Felizmente, por causa da atitude e união dos habitantes de Caluquembe os caçadores de homens nunca mais rondaram este povoado.
Importa esclarecer que este tipo de escravatura dava-se o nome pomposo de CONTRATADOS.
Nunca se deve branquear a história porque esse é o primeiro passo para no futuro se repetir os erros do passado.
Saliento que não se deve esconder a história, porque esta serve para compreender o presente e projectar o futuro, por outro lado, se nós angolanos, já conseguimos falar destes temas significa que já os ultrapassamos e por isso não há mais ressentimentos.
Só com a reconciliação com passado é possível abraçar o futuro.
Claro que o grupo não se deu por vencido e em contra-resposta ameaçaram ir a Luanda e falar com o Governador Geral de Angola, nesse momento o Governador Provincial recuou e deu ordem para entrar na sua sala.
Inicialmente o Governador estava muito relutante, mas quando soube do sucedido ficou muito irritado principalmente porque houve conivência de alguns chefes de posto.
Felizmente, por causa da atitude e união dos habitantes de Caluquembe os caçadores de homens nunca mais rondaram este povoado.
Importa esclarecer que este tipo de escravatura dava-se o nome pomposo de CONTRATADOS.
Nunca se deve branquear a história porque esse é o primeiro passo para no futuro se repetir os erros do passado.
Saliento que não se deve esconder a história, porque esta serve para compreender o presente e projectar o futuro, por outro lado, se nós angolanos, já conseguimos falar destes temas significa que já os ultrapassamos e por isso não há mais ressentimentos.
Só com a reconciliação com passado é possível abraçar o futuro.
Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX
Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX
Pode parecer inacreditável que ainda há pouco mais de cinquenta anos em Angola era ainda praticado a escravatura.
Uma esmagadora parte dos colonos viviam nas grandes cidades e por isso ainda hoje falam de uma Angola portuguesa (justa, igualitária, etc.) que nunca existiu!
Muitos destes colonos ainda hoje desconhecem os muitos «atropelos» que se faziam às pessoas e por isso contam a estória de Angola e não a história de Angola.
A estória dos colonos é a sua vivencia, sobretudo citadina e aí de facto a Angola portuguesa era multirracial e tolerante.
Por esse facto, por exemplo estes colonos pensam que por toda Angola portuguesa os negros tinham as mesmas condições de educação. Mas a realidade era outra, e é aí que entra a história de Angola - foram as missões católicas e protestantes que asseguraram em grande parte a educação dos negros( excepto nas cidades) e não o estado português.
Mas voltemos ao tema de hoje, à história da escravatura de Angola em pleno século XX.
Evidentemente que há cinquenta anos era um tipo de escravatura moderna e por isso os seus métodos eram mais sofisticados. Vou contar um episódio entre muitos que ocorriam no interior da Angola portuguesa.
Em 1960 na minha terra Caluquembe pela madrugada dezenas de negros foram bater à porta do mais velho em total desespero, estavam atormentados! As mulheres choravam dizendo, “querem levar os nossos maridos e os nossos filhos”. O meu avô ficou indignado com o que estava a suceder. No dia seguinte, o mais velho juntou um conjunto de pessoas e rumaram a Sá da Bandeira, actual Lubango, para denunciar aquela aberração (continua).
Pode parecer inacreditável que ainda há pouco mais de cinquenta anos em Angola era ainda praticado a escravatura.
Uma esmagadora parte dos colonos viviam nas grandes cidades e por isso ainda hoje falam de uma Angola portuguesa (justa, igualitária, etc.) que nunca existiu!
Muitos destes colonos ainda hoje desconhecem os muitos «atropelos» que se faziam às pessoas e por isso contam a estória de Angola e não a história de Angola.
A estória dos colonos é a sua vivencia, sobretudo citadina e aí de facto a Angola portuguesa era multirracial e tolerante.
Por esse facto, por exemplo estes colonos pensam que por toda Angola portuguesa os negros tinham as mesmas condições de educação. Mas a realidade era outra, e é aí que entra a história de Angola - foram as missões católicas e protestantes que asseguraram em grande parte a educação dos negros( excepto nas cidades) e não o estado português.
Mas voltemos ao tema de hoje, à história da escravatura de Angola em pleno século XX.
Evidentemente que há cinquenta anos era um tipo de escravatura moderna e por isso os seus métodos eram mais sofisticados. Vou contar um episódio entre muitos que ocorriam no interior da Angola portuguesa.
Em 1960 na minha terra Caluquembe pela madrugada dezenas de negros foram bater à porta do mais velho em total desespero, estavam atormentados! As mulheres choravam dizendo, “querem levar os nossos maridos e os nossos filhos”. O meu avô ficou indignado com o que estava a suceder. No dia seguinte, o mais velho juntou um conjunto de pessoas e rumaram a Sá da Bandeira, actual Lubango, para denunciar aquela aberração (continua).
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Os Falsos Angolanos!
Falsos Angolanos
Ser angolano não é nascer necessariamente em Angola, ser angolano é amar Angola com as suas virtudes, mas também com os seus defeitos.
Conheço muitos negros, mulatos e brancos nascidos em Angola e que por isso se consideram angolanos, que só falam maravilhas da Angola portuguesa e só falam mal da Angola de hoje a independente, a verdadeira, a genuína. Estes não são angolanos, mas portugueses nascidos em Angola.
Conheço negros, brancos e mulatos, alguns apenas viveram em Angola, outros nasceram lá mas não vivem lá. Estes falam da Angola Portuguesa com o realismo histórico, mas falam sobretudo da Angola de hoje com entusiasmo e esperança, próprio de quem ama de forma incondicional a sua terra de coração. Esses são os Angolanos, nascidos e não nascidos em Angola.
Como distinguimos uns dos outros?
É fácil, basta estarmos atentos ao discurso. Por exemplo:
Enaltecer os grandes feitos dos portugueses militares que estiveram em Angola ou dizer que não havia racismo e a prova era os filhos de muitos brancos com negras ou dizer que agora é que há exploração dos negros, ou dizer que agora é que os negros vivem mal ou dizer que no tempo deles os negros viviam melhor ou dizer que os negros tinham exactamente as mesmas oportunidades que os brancos ou ainda considerar a escravatura portuguesa como boa e menos má comparada com a de outros países. Este tipo de discurso é próprio dos portugueses nascidos em Angola
Estes portugueses não aceitam que não há escravatura boa ou menos má porque escravatura é escravatura, ponto. Também não aceitam que foram os portugueses que inventaram a escravatura transatlântica, e essa nódoa, ninguém tira aos portugueses. Por norma ignoram que a escravatura perdurou ao longo do século XX mas, com outro nome – contratados. Ignoram também que hoje os negros nas escolas públicas são maioria e no tempo colonial eram minoria. Também lhes custa aceitar o actual desenvolvimento de Angola, porque tal facto deita por terra um velho pensamento racista – sem os brancos Angola está condenada ao fracasso e à miséria.
Não é difícil identificar os falsos angolanos!
Ser angolano não é nascer necessariamente em Angola, ser angolano é amar Angola com as suas virtudes, mas também com os seus defeitos.
Conheço muitos negros, mulatos e brancos nascidos em Angola e que por isso se consideram angolanos, que só falam maravilhas da Angola portuguesa e só falam mal da Angola de hoje a independente, a verdadeira, a genuína. Estes não são angolanos, mas portugueses nascidos em Angola.
Conheço negros, brancos e mulatos, alguns apenas viveram em Angola, outros nasceram lá mas não vivem lá. Estes falam da Angola Portuguesa com o realismo histórico, mas falam sobretudo da Angola de hoje com entusiasmo e esperança, próprio de quem ama de forma incondicional a sua terra de coração. Esses são os Angolanos, nascidos e não nascidos em Angola.
Como distinguimos uns dos outros?
É fácil, basta estarmos atentos ao discurso. Por exemplo:
Enaltecer os grandes feitos dos portugueses militares que estiveram em Angola ou dizer que não havia racismo e a prova era os filhos de muitos brancos com negras ou dizer que agora é que há exploração dos negros, ou dizer que agora é que os negros vivem mal ou dizer que no tempo deles os negros viviam melhor ou dizer que os negros tinham exactamente as mesmas oportunidades que os brancos ou ainda considerar a escravatura portuguesa como boa e menos má comparada com a de outros países. Este tipo de discurso é próprio dos portugueses nascidos em Angola
Estes portugueses não aceitam que não há escravatura boa ou menos má porque escravatura é escravatura, ponto. Também não aceitam que foram os portugueses que inventaram a escravatura transatlântica, e essa nódoa, ninguém tira aos portugueses. Por norma ignoram que a escravatura perdurou ao longo do século XX mas, com outro nome – contratados. Ignoram também que hoje os negros nas escolas públicas são maioria e no tempo colonial eram minoria. Também lhes custa aceitar o actual desenvolvimento de Angola, porque tal facto deita por terra um velho pensamento racista – sem os brancos Angola está condenada ao fracasso e à miséria.
Não é difícil identificar os falsos angolanos!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Devido à ignorância de muitos colonos
Devido à ignorância de muitos colonos, estes faziam uma distinção entre os povos do sul de Angola com os do norte. Não interessa para o caso, especificar as diferenças que muitos colonos apresentavam, porque o importante é informar correctamente e desmistificar estereótipos criados pelos colonos.
Desde já, de norte a sul de Angola dominava esmagadoramente o Povo Banto, este subdivide-se em dezenas de subétnias, que por sua vez também de se subdividem em centenas de pequenos grupos étnicos.
Por outro lado, os povos bantu de Angola se misturaram e casaram entre si, contudo, havia grupos mais fechados e por isso menos propensos a contraírem matrimónio fora do seu grupo étnico.
Por fim, o trafico de escravos e a deslocação (no século XX) forçada dos contratados paras as grandes fazendas fez com que a mistura entre os muitos grupos étnicos fosse inevitável
Por isso, há muito que não é possível um indivíduo de Angola (com excepções pontuais) dizer que é deste ou daquele grupo étnico ele é simplesmente – angolano.
No entanto foram essencialmente três grupos étnicos que no passado se destacaram e influenciaram Angola: ovimbundo, quioco e jaga.
Por exemplo o século XIX foi a idade de ouro do monopólio comercial ovimbundo, desde Benguela ao Alto-Zambeze. A cera o marfim, a giesta, os escravos e a borracha era os grandes negócios deste grupo étnico. Nesse período via-se caravanas de comerciantes ovimbundos que iam de Benguela e Catumbela até ao planalto e por isso tornaram-se mais competitivos comercialmente em relação a outros grupos étnicos e também em relação aos sertanejos portugueses.
Desde já, de norte a sul de Angola dominava esmagadoramente o Povo Banto, este subdivide-se em dezenas de subétnias, que por sua vez também de se subdividem em centenas de pequenos grupos étnicos.
Por outro lado, os povos bantu de Angola se misturaram e casaram entre si, contudo, havia grupos mais fechados e por isso menos propensos a contraírem matrimónio fora do seu grupo étnico.
Por fim, o trafico de escravos e a deslocação (no século XX) forçada dos contratados paras as grandes fazendas fez com que a mistura entre os muitos grupos étnicos fosse inevitável
Por isso, há muito que não é possível um indivíduo de Angola (com excepções pontuais) dizer que é deste ou daquele grupo étnico ele é simplesmente – angolano.
No entanto foram essencialmente três grupos étnicos que no passado se destacaram e influenciaram Angola: ovimbundo, quioco e jaga.
Por exemplo o século XIX foi a idade de ouro do monopólio comercial ovimbundo, desde Benguela ao Alto-Zambeze. A cera o marfim, a giesta, os escravos e a borracha era os grandes negócios deste grupo étnico. Nesse período via-se caravanas de comerciantes ovimbundos que iam de Benguela e Catumbela até ao planalto e por isso tornaram-se mais competitivos comercialmente em relação a outros grupos étnicos e também em relação aos sertanejos portugueses.
Democracia Popular no Reino Ovimbundo
Democracia Popular no Reino Ovimbundo
Os reis ovimbundo eram considerados divinos, contudo havia um considerável exercício de democracia popular. Por exemplo os conselheiros do rei, normalmente anciãos respeitados, não só escolhiam o sucessor, como também influenciavam toda a estrutura social do reino, nomeadamente no sucessor de um rei falecido.
Esta estrutura organizacional dos ovimbundos só foi «desmantelada» em finais do século XIX, com a consolidação da ocupação do território angolano por parte de Portugal. Assim, os Reis Ovimbundo passaram a ter apenas um «peso» simbólico. Havia cerca de 22 reinos ovimbundos.
Os ovimbundos entraram numa nova era no inicio do século XX, já que, os vários reis passaram a ser directa ou indirectamente designados pelas autoridades portuguesas.
Os reis ovimbundo eram considerados divinos, contudo havia um considerável exercício de democracia popular. Por exemplo os conselheiros do rei, normalmente anciãos respeitados, não só escolhiam o sucessor, como também influenciavam toda a estrutura social do reino, nomeadamente no sucessor de um rei falecido.
Esta estrutura organizacional dos ovimbundos só foi «desmantelada» em finais do século XIX, com a consolidação da ocupação do território angolano por parte de Portugal. Assim, os Reis Ovimbundo passaram a ter apenas um «peso» simbólico. Havia cerca de 22 reinos ovimbundos.
Os ovimbundos entraram numa nova era no inicio do século XX, já que, os vários reis passaram a ser directa ou indirectamente designados pelas autoridades portuguesas.
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