Tantas vezes utilizamos o termo «aka» no discurso. Os mais novos, sobretudo a minha geração não sabe que é um termo da Língua Umbundu, mais concretamente é uma interjeição.
As interjeições exprimem por palavras invariáveis, os sentimentos repentinos da alma.
Nesse sentido a palavra «aka» pode significar admiração e/ou desconformidade.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
A Obra Católica na Huíla
A obra católica em Angola através das congregações dos Capuchinhos e Espírito Santo são de um valor inestimável para todos nós angolanos, reconhecido pelo Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, aquando da visita do Papa Bento XVI ao país.
A actual paz que se vive no país, resulta em muito de uma doutrina católica que ao longo de séculos influenciou e moldou a nossa angolanidade.
Uma das maiores riquezas de Angola são as múltiplas etnias que a constituem, mas essa riqueza toma maior dimensão com a sã relação entre elas. Se no passado recente como no presente não assistimos a conflitos étnicos em Angola como tem acontecido em muitos países africanos, deve-se em grande medida à educação das Missões Espírito Santo, sem esquecer as missões protestantes que chegaram a Angola, São Salvador do Congo em 1878 com a Sociedade Missionária Baptista Inglesa.
Hoje podemos estudar a Língua Nhaneca, graças ao incansável trabalho em finais do século XIX, inicio do século XX dos Missionários Espírito Santo, com destaque para:
Padre Dekindt
Padre Villain
Padre Bonnefoux
Padre Afonso Maria Lang
O padre Bonnefoux escreveu um dicionário Olunyaneka – Português (1941) – edição póstuma - e ainda Breve Método da Língua Nyaneka.
O padre Villain escreveu à mão um vocabulário português-nhaneca bastante desenvolvido.
O padre Lang escreveu uma gramática da língua nhaneca, impressa em Portugal em 1906 – Ensaios de Gramática Nyaneca, «por Afonso Maria Lang, Missionário do Espirito Santo».
A actual paz que se vive no país, resulta em muito de uma doutrina católica que ao longo de séculos influenciou e moldou a nossa angolanidade.
Uma das maiores riquezas de Angola são as múltiplas etnias que a constituem, mas essa riqueza toma maior dimensão com a sã relação entre elas. Se no passado recente como no presente não assistimos a conflitos étnicos em Angola como tem acontecido em muitos países africanos, deve-se em grande medida à educação das Missões Espírito Santo, sem esquecer as missões protestantes que chegaram a Angola, São Salvador do Congo em 1878 com a Sociedade Missionária Baptista Inglesa.
Hoje podemos estudar a Língua Nhaneca, graças ao incansável trabalho em finais do século XIX, inicio do século XX dos Missionários Espírito Santo, com destaque para:
Padre Dekindt
Padre Villain
Padre Bonnefoux
Padre Afonso Maria Lang
O padre Bonnefoux escreveu um dicionário Olunyaneka – Português (1941) – edição póstuma - e ainda Breve Método da Língua Nyaneka.
O padre Villain escreveu à mão um vocabulário português-nhaneca bastante desenvolvido.
O padre Lang escreveu uma gramática da língua nhaneca, impressa em Portugal em 1906 – Ensaios de Gramática Nyaneca, «por Afonso Maria Lang, Missionário do Espirito Santo».
Aldeia na Língua Nhaneca
Na época da fundação do Lubango, a língua e a etnia predominante era a Nhaneca. Por conseguinte as aldeias não se chamavam Sanzalas (quando muito Osandyala), apesar de hoje ser um termo generalizado.
Na língua Nhaneca, aldeia podiam designar-se de: okalongo; otyilongo (o ty foneticamente lê-se como Ch ou X). É desta palavra que deriva Quilombo (as letras Qui, foneticamente lêem-se Ch ou X), o nome dado às aldeias no Brasil onde se concentravam os escravos fugidos das fazendas, onde eram explorados .
Contudo, também se designavam as aldeias de:
. Eumbo
. Osandyala (daqui o termo sanzala)
Na língua Nhaneca, aldeia podiam designar-se de: okalongo; otyilongo (o ty foneticamente lê-se como Ch ou X). É desta palavra que deriva Quilombo (as letras Qui, foneticamente lêem-se Ch ou X), o nome dado às aldeias no Brasil onde se concentravam os escravos fugidos das fazendas, onde eram explorados .
Contudo, também se designavam as aldeias de:
. Eumbo
. Osandyala (daqui o termo sanzala)
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Constatar e não Julgar!
Quando estudamos a história de Angola devemos ter a serenidade de aceitar os factos.
O que aconteceu no tempo colonial, tem de ser analisado e contextualizado há época.
Quando se fala da descriminação, dos privilégios dos colonos da triste história dos contratados, temos de encarar tudo isto – colonos e colonizados, brancos e negros - não numa perspectiva de julgamento com base numa visão moderna porque isso é distorcer a própria história. Devemos apenas constatar os factos históricos. Por muito que custe a uns e outros, relatar, descrever a realidade do passado histórico de Angola, não é exorcizar fantasmas, mas sim evitar que eles nunca mais regressem.
Branquear a história é ocultar a verdade e isso é perigoso, porque impossibilita à humanidade de evitar erros do passado. O mundo está repleto de exemplos desses.
«Julgar o passado pelos seus aspectos negativos e encarando
prismas de acção modernos, traduz um falso pressuposto, porque nem
o passado deixa de ser motivo de reflexão, nem o presente consegue es-
conder a força histórica que agigantou um povo» *)
*) – Prof. Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, I vol.
1977, pág. 16.
O que aconteceu no tempo colonial, tem de ser analisado e contextualizado há época.
Quando se fala da descriminação, dos privilégios dos colonos da triste história dos contratados, temos de encarar tudo isto – colonos e colonizados, brancos e negros - não numa perspectiva de julgamento com base numa visão moderna porque isso é distorcer a própria história. Devemos apenas constatar os factos históricos. Por muito que custe a uns e outros, relatar, descrever a realidade do passado histórico de Angola, não é exorcizar fantasmas, mas sim evitar que eles nunca mais regressem.
Branquear a história é ocultar a verdade e isso é perigoso, porque impossibilita à humanidade de evitar erros do passado. O mundo está repleto de exemplos desses.
«Julgar o passado pelos seus aspectos negativos e encarando
prismas de acção modernos, traduz um falso pressuposto, porque nem
o passado deixa de ser motivo de reflexão, nem o presente consegue es-
conder a força histórica que agigantou um povo» *)
*) – Prof. Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, I vol.
1977, pág. 16.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Trinta e cinco anos
Trinta e cinco anos,
São os anos de libertação
Resultantes da opressão
Viva, viva
Viva a Independência
Viva a libertação
Viva o fim da colonização
Hoje as lágrimas correm
Não de dor
Nem de tirania
Hoje elas correm de alegria
Porque hoje a minha terra é livre
Já não há contratados
Apenas empregados
Viva , Viva
A minha terra é paixão
Seus povos são beleza de expressão
Sua natureza é maravilhosamente sufocante
Esta é a minha terra
Onde para o meu coração
Onde mora a emoção
Viva, viva
ANGOLA
São os anos de libertação
Resultantes da opressão
Viva, viva
Viva a Independência
Viva a libertação
Viva o fim da colonização
Hoje as lágrimas correm
Não de dor
Nem de tirania
Hoje elas correm de alegria
Porque hoje a minha terra é livre
Já não há contratados
Apenas empregados
Viva , Viva
A minha terra é paixão
Seus povos são beleza de expressão
Sua natureza é maravilhosamente sufocante
Esta é a minha terra
Onde para o meu coração
Onde mora a emoção
Viva, viva
ANGOLA
sábado, 30 de outubro de 2010
Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX (parte II)
Os representantes de Caluquembe exigiram ser recebidos pelo Governador Provincial, mas este considerou um enorme atrevimento e por isso negou-se em escuta-los.
Claro que o grupo não se deu por vencido e em contra-resposta ameaçaram ir a Luanda e falar com o Governador Geral de Angola, nesse momento o Governador Provincial recuou e deu ordem para entrar na sua sala.
Inicialmente o Governador estava muito relutante, mas quando soube do sucedido ficou muito irritado principalmente porque houve conivência de alguns chefes de posto.
Felizmente, por causa da atitude e união dos habitantes de Caluquembe os caçadores de homens nunca mais rondaram este povoado.
Importa esclarecer que este tipo de escravatura dava-se o nome pomposo de CONTRATADOS.
Nunca se deve branquear a história porque esse é o primeiro passo para no futuro se repetir os erros do passado.
Saliento que não se deve esconder a história, porque esta serve para compreender o presente e projectar o futuro, por outro lado, se nós angolanos, já conseguimos falar destes temas significa que já os ultrapassamos e por isso não há mais ressentimentos.
Só com a reconciliação com passado é possível abraçar o futuro.
Claro que o grupo não se deu por vencido e em contra-resposta ameaçaram ir a Luanda e falar com o Governador Geral de Angola, nesse momento o Governador Provincial recuou e deu ordem para entrar na sua sala.
Inicialmente o Governador estava muito relutante, mas quando soube do sucedido ficou muito irritado principalmente porque houve conivência de alguns chefes de posto.
Felizmente, por causa da atitude e união dos habitantes de Caluquembe os caçadores de homens nunca mais rondaram este povoado.
Importa esclarecer que este tipo de escravatura dava-se o nome pomposo de CONTRATADOS.
Nunca se deve branquear a história porque esse é o primeiro passo para no futuro se repetir os erros do passado.
Saliento que não se deve esconder a história, porque esta serve para compreender o presente e projectar o futuro, por outro lado, se nós angolanos, já conseguimos falar destes temas significa que já os ultrapassamos e por isso não há mais ressentimentos.
Só com a reconciliação com passado é possível abraçar o futuro.
Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX
Escravatura em Angola perdurou até aos anos sessenta do século XX
Pode parecer inacreditável que ainda há pouco mais de cinquenta anos em Angola era ainda praticado a escravatura.
Uma esmagadora parte dos colonos viviam nas grandes cidades e por isso ainda hoje falam de uma Angola portuguesa (justa, igualitária, etc.) que nunca existiu!
Muitos destes colonos ainda hoje desconhecem os muitos «atropelos» que se faziam às pessoas e por isso contam a estória de Angola e não a história de Angola.
A estória dos colonos é a sua vivencia, sobretudo citadina e aí de facto a Angola portuguesa era multirracial e tolerante.
Por esse facto, por exemplo estes colonos pensam que por toda Angola portuguesa os negros tinham as mesmas condições de educação. Mas a realidade era outra, e é aí que entra a história de Angola - foram as missões católicas e protestantes que asseguraram em grande parte a educação dos negros( excepto nas cidades) e não o estado português.
Mas voltemos ao tema de hoje, à história da escravatura de Angola em pleno século XX.
Evidentemente que há cinquenta anos era um tipo de escravatura moderna e por isso os seus métodos eram mais sofisticados. Vou contar um episódio entre muitos que ocorriam no interior da Angola portuguesa.
Em 1960 na minha terra Caluquembe pela madrugada dezenas de negros foram bater à porta do mais velho em total desespero, estavam atormentados! As mulheres choravam dizendo, “querem levar os nossos maridos e os nossos filhos”. O meu avô ficou indignado com o que estava a suceder. No dia seguinte, o mais velho juntou um conjunto de pessoas e rumaram a Sá da Bandeira, actual Lubango, para denunciar aquela aberração (continua).
Pode parecer inacreditável que ainda há pouco mais de cinquenta anos em Angola era ainda praticado a escravatura.
Uma esmagadora parte dos colonos viviam nas grandes cidades e por isso ainda hoje falam de uma Angola portuguesa (justa, igualitária, etc.) que nunca existiu!
Muitos destes colonos ainda hoje desconhecem os muitos «atropelos» que se faziam às pessoas e por isso contam a estória de Angola e não a história de Angola.
A estória dos colonos é a sua vivencia, sobretudo citadina e aí de facto a Angola portuguesa era multirracial e tolerante.
Por esse facto, por exemplo estes colonos pensam que por toda Angola portuguesa os negros tinham as mesmas condições de educação. Mas a realidade era outra, e é aí que entra a história de Angola - foram as missões católicas e protestantes que asseguraram em grande parte a educação dos negros( excepto nas cidades) e não o estado português.
Mas voltemos ao tema de hoje, à história da escravatura de Angola em pleno século XX.
Evidentemente que há cinquenta anos era um tipo de escravatura moderna e por isso os seus métodos eram mais sofisticados. Vou contar um episódio entre muitos que ocorriam no interior da Angola portuguesa.
Em 1960 na minha terra Caluquembe pela madrugada dezenas de negros foram bater à porta do mais velho em total desespero, estavam atormentados! As mulheres choravam dizendo, “querem levar os nossos maridos e os nossos filhos”. O meu avô ficou indignado com o que estava a suceder. No dia seguinte, o mais velho juntou um conjunto de pessoas e rumaram a Sá da Bandeira, actual Lubango, para denunciar aquela aberração (continua).
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