O Livro

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Apresentação do Livro CHICORONHO

Apresentação do Livro CHICORONHO
FNAC Almada - 17/04/2010

Apresentação do Livro CHICORONHO

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FNAC Algarve - 24/01/2010

domingo, 13 de fevereiro de 2011

MALANDJI CIDADE DE ANGOLA FAZ 79 ANOS

Hoje a cidade de Malandji faz 79 anos.


Mas eu não vou falar da história desta terra maravilhosa, porque outros já o fizeram melhor que eu.

Contudo vou tentar esclarecer as dúvidas que muitos têm no nome, ou seja, uns escrevem – Malange – outros escrevem – Malanje.

No entanto, ambos os nomes estão incorrectos porque estamos perante uma palavra africana, mais concretamente Kimbundu. Vejamos algumas regras fundamentais:

1º - Nas línguas de origem bantu ficou estabelecido internacionalmente que o mesmo som deve grafar-se sempre com a mesma letra (logo o a palavra Malange é erro porque a letra «g» tem sempre valor de «g» nunca toma o valor de «j»).

2º Nas línguas de origem bantu as vogais são sempre medianamente abertas e nunca fechadas, assim a palavra aqui discutida nunca poderá terminar em «e» porque se assim fosse foneticamente ficava «Malanjé».

3º Na Língua Kimbundu (e Umbundu) a letra «j» não existe de forma isolada, ou seja, existe apenas como dígrafo – ndj.

Portanto, antes da letra «j» coloca-se sempre as letras «nd» - ficando «ndj»

Isto significa que esta cidade de Angola devia escrever-se Malandji.

Se queremos preservar as nossas línguas nacionais, devemos respeitar um conjunto de regras que faz delas línguas e não dialectos. Mas se continuarmos a destorcer, banalizar ou desprezar as línguas nacionais, estas dentro de poucos anos mais não serão do que meras recordações dos mais velhos!

Mesmo para os que percebem pouco de filologia (como é o meu caso) e não perceberam a minha explanação, concluo com uma última.

Ma- landji – etimologicamente significa «as pedras», e por isso esta terra recebeu o nome de MALANDJI. Com a dificuldade dos portugueses falarem esta palavra com a fonética correcta, estes transformaram a palavra Malandji de acordo com a sua fonética e ortografia - Malange. Contudo aqueles que quiseram emendar o erro, não o conseguiram porque escrever Malanje está também errado. Isto acontece por desconhecimento da filologia e/ou etimologia.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Porquê o 4 de Fevereiro de 1961 em Angola.

Porquê o 4 de Fevereiro de 1961 em Angola


Actualmente é simplesmente impossível esconder os factos que levaram nós angolanos a lutar pela independência de Angola. Existem muitos trabalhos realizados por especialistas em história que perpetuaram a verdadeira história das colonizações europeias.

Ainda existem por aí muitos, que por ignorância e outros premeditadamente que dizem:

“a colonização de Portugal foi diferente, foi melhor que a dos outros…” blá, blá, blá.

NÃO HÁ COLONIALISMOS BONS, TODO O COLONIALISMO É, POR NATUREZA VIOLENTO E ATRASA O DESENVOLVIMENTO. POR OUTRO LADO, COLONIZAÇÃO É SUJEIÇÃO DOS POVOS A UMA SUBJUGAÇÃO, DOMINAÇÃO E EXPLORAÇÃO E TUDO ISSO CONSTITUI A NEGAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO HOMEM E COMPROMETE A PAZ ENTRE ELES.

A «gota de água» para luta armada iniciada no 4 de Fevereiro de 1961 foi o massacre na baixa do Cassange no dia 4 de Janeiro do mesmo ano, local com mais de 150 000 habitantes. Chama-se «Baixa do Cassange» porque estamos perante um grande território com cerca de 75 000 quilómetros quadrados localizado numa depressão rodeada por montes e serras com mais de 1000 metros altura. A Baixa do Cassange está a uma altitude média de 650 metros.

Não vou falar do dia que inicia a nossa luta pela independência mas de factos que antecederam esse dia e que muitos desconhecem.

O princípio do fim da presença portuguesa em Angola começa no fatídico dia 4 de Janeiro de 1961. De acordo com o capitão português José Ervedosa, nesse dia a aviação portuguesa destruíra 17 aldeias e matara cerca de 5000 a 10 000 homens, mulheres e crianças com bombas incendiárias napalm. Um autêntico crime contra a humanidade. Este hediondo ataque ocorreu em resposta à revolta dos agricultores da Baixa do Cassange. Na região de Milando - Quivota, os cultivadores vão recusar-se a trabalhar o algodão, a pagar o imposto de capitação e a obedecer às autoridades. A luta alastrou a Cunda e Marimba N´guengo. No dia 7 de Fevereiro, a 4º companhia de Caçadores Especiais saiu para Cunda-ria-Baza e sofre uma emboscada, a primeira de muitas que exercito português sofreu.

A vida dos habitantes na Baixa do Cassange era um autêntico inferno! Os agricultores e suas famílias eram obrigados a cultivar o algodão, em vês de outros produtos que permitissem diversificar a alimentação das familias. No final da campanha os agricultores tinham de vender a sua produção à famosa COTONANG fundada com capitais portugueses (Companhia de Algodão da Angola SARL) e capitais belgas decorria o ano de 1926. O conhecido Rebocho Vaz (viria ser um dos governadores da Angola (1966-1971), na altura era major, comandante da 4ª Companhia de Caçadores Especiais mandou fazer um inquérito à actividade da COTONANG . Numa das partes do relatório dizia que as pessoas na Baixa do Cassange viviam “em condições de absoluta miséria moral e material… existem sanzalas inteiras em que as águas, no tempo das chuvas, passam pelo leito das cubatas onde dormem”.

Outro aspecto importante a destacar no relatório são os capatazes da COTONANG, estes exigiam dinheiro aos cultivadores para “os não denunciar ao chefe ou ao agente de mato, por uma qualquer razão inventada, como seja a falta de limpeza da lavra de algodão ou outra falta relativa ao cultivo”. Por outro lado, os agentes do mato da COTONANG forçavam os agricultores a mudarem a sua residência para sítios onde dessem mais rendimento. Como se percebe a fome era generalizada porque a COTONANG pagava aos agricultores preços muito abaixo do mercado por outro lado, depois de tantos trabalhos na cultura do algodão, os agricultores não tinham tempo para as suas próprias culturas alimentares, o feijão, a batata, o milho, a mandioca. Quando chegava a hora de dar de comer à família nada havia.

Conseguimos imaginar a pressão psicológicas que estas famílias de agricultores viviam diariamente ao longo de uma vida!!

A COTONANG era uma entre muitas empresas de empresários portugueses que se enchiam de dinheiro na metrópole à custa da exploração das colónias e respectivos povos. A indústria portuguesa temia o desenvolvimento e a concorrência das mercadorias das colónias. Por exemplo o ignóbil Salazar mandou publicar em 5 de Setembro de 1944 o Decreto nº33924, que proibia as instalações têxteis em Angola. Em 1958 é publicado um decreto proibindo a pesca no alto mar, quando não fossem utilizados barcos a motor isto colocara os pescadores angolanos com menos recursos financeiros numa situação ainda mais difícil Este são exemplos entre dezenas de outros.

Por obvia compreensão ficou patente que o sofrimento dos povos das colónias portuguesas foi agravado pelo atraso económico da metrópole. Atraso que aumentou á medida que o sórdido Salazar se perpetuava no poder.

Importa salientar que os angolanos tentaram evitar a luta armada, inclusive foi enviado a Salazar, decorria o ano de 1960 uma Declaração do MPLA subscrita por Viriato da Cruz, Mário de Andrade e Lúcio Lara, que propunha o «estabelecimento das liberdades públicas, nomeadamente a de formação legar de partidos políticos e garantias concretas para o exercício efectivo dessas liberdades”.

Mas com o exíguo raciocínio do ditador português os elementos do MPLA não obtiveram resposta.

Não seria de esperar outra coisa, vindo de quem vem!!

A mesma «sorte» teve o embaixador americano Charles Elbrich a 7 de Março de 1961, incumbido de explicar ao ditador de Portugal que os EUA tinham alterado a sua politica em relação a África e por isso os ajudaria a preparar a Independências das suas colónias, com grandes vantagens financeiras, formação dos militares portugueses nos EUA entres outras benesses. Mas Salazar de limitada inteligência não percebia a mudanças do mundo e resistia contra tudo e contra todos.

Como eu disse o 4 de Janeiro foi a GOTA DE ÀGUA de um copo que há muito que estava cheio de uma triste história de colonização como foram todas as outras pelo mundo fora.

Nesse sentido surge o 4 de Fevereiro de 1961.











terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Parabéns Luanda pelos 435 Anos - 25 de Janeiro de 2011

A 23 de Outubro de 1574, Paulo Dias de Novais, neto do grande navegador Bartolomeu Dias parte em direcção ao Reino de N´gola do Ndongo. A primeira escala foi a Ilha da Madeira, depois Cabo Verde (Ilha de Santiago) no dia 17 de Dezembro. A 1 de Fevereiro chegavam à zona do Rio Congo. O padre Garcia Simões membro do grupo de Paulo Novais descrevia: “ No espaço voava “cópia de pássaros” de barrigas vermelhas. Navegaram ao longo da costa durante três dias e a 20 de Fevereiro tiveram “vista da ponta” da ilha de Luanda e “de alguns barcos que estavam ancorados no porto”.


Todavia na “História da residência dos padres da Companhia de Jesus” produzida vinte anos depois, com a afirmação de quem tinha sido ouvidas “informações de pessoas dignas de fé”, entre as quais o padre Baltasar Afonso, outro membro da missão de Paulo Novais, a data de chegada à Ilha de Luanda é de 11 de Fevereiro.

Quem foi exacto? O padre Baltasar ou o Padre Simões? Ambos fizeram parte do grupo que chegou à ilha de Luanda!!

No meu entender a chegada a Luanda foi a 11 de Fevereiro de 1575 porque no dia 1 de Fevereiro, a armada de Paulo de Novais já se encontrava no Rio Congo, logo parece evidente que onze dias são mais do que suficientes para concluir a distancia que separa o Rio Congo da Ilha de Luanda.

Uma questão que se impõe, ainda sem resposta e que, certamente continuará sem resposta – No momento da chegada de Paulo Novais à Ilha de Luanda, a quem pertencia, efectivamente, a faixa continental fronteira à Ilha? Ao Reino do Congo? A sobas aliados do N´gola Ndongo? aos invasores imbangala provenientes do longínquo leste?

Curiosamente o fundador da maravilhosa Luanda, Paulo Dias de Novais, morreu pobre e endividado, aos 9 de Maio de 1589, em Massangano, a vila por ele criada na confluência do Rio Lucala com o Rio Kwanza.

Outra curiosidade é que Paulo Novais morreu sem nunca ter chegado a contacto com o N´gola.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A 1º República em Angola

Manuel Coelho era coronel e viveu vários anos em Angola como exilado politico republicano de 1891 a 1896.


O mérito deste primeiro Governador - Geral da era pós monarquia, foi a tentativa de acabar com o trabalho forçado em Angola, nesse sentido, em 1911 deportou 11 portugueses acusados desse crime! Mas este governador acabou por desistir de lutar por uma Angola mais justa e humana, acabou por se demitir em Março de 1912.
Mas não foi só o Governador- -Geral a vitima dos poderosos comerciantes colonos aliados e protegidos por um vasto número de empresários/politicos influentes de Lisboa, nesse sentido, Carvalhal Henriques, Governador de Moçamedes (actual Namibe) que se tornara conhecido por se opor ao trabalho forçado foi demitido na mesma altura.

Importa salientar que o trabalho forçado tinha sido instituido no regulamento de 1878 e saído mais reforçado ainda no Regulamento de 1899.

Mas, a verdade é que a República nada trouxe de novo! Em 1911 foi aprovado um regulamento que mais não era, uma cópia da lei de 1899.

A legislação repúblicana decretava que todos os africanos, excepto os «civilizados», tinham a obrigação de trabalhar durante um período de tempo determinado por cada ano.

Este tipo de trabalho só foi abolido em 1921 pelo alto-comissário Norton de Matos. Mas, apesar de uma legislação bem-intencionada, as práticas laborais continuaram praticamente iguais (até anos 60) ao que eram antes.

Com as obras: «Portuguese Slavery: Britain´s Dilemma, de John Harris (Londres, 1913), e Report on Employment of Native Labour in Portuguese Africa, de Edward A. Ross (Nova Iorque, 1925), fica claro que o trabalho forçado sob o regime republicano era tão mão ou pior do que no período mais decadente da monarquia de Bragança.

Fonte: René Pélissier & Douglas Wheeler

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Martin Luther King – um eleito de Deus.

Hoje não falarei de Angola, mas falarei de um líder que gostava de ter tido em Angola!
Há uns meses elogiei Nelson Mandela, hoje depois de muita analise de um livro e de um documentário com imagens reias elogio Martin Luther King – um eleito de Deus.


Luther King no dia 3 de Abril de 1968 tinha uma reunião à noite, na cidade de Memphis onde o esperavam mais de 11 mil pessoas. Mas, ele nesse dia estava com febre, assim seu amigo e companheiro de luta, Andrew Young, disse para ele ficar a descansar. Martin Luther King ficou sozinho. É no momento da sua solidão que ele recebe a visita de um anjo que diz que ele está entre os escolhidos de Deus, e para transmitir às pessoas essa mensagem. Depois da visita do anjo, Martin Luther King recebe um telefonema de seu amigo a dizer «tens de vir, estão aqui mais de 10 mil pessoas que te esperam escutar. Luther King foi, mesmo cheio de febre e falou para a multidão (agora tomem muita atenção a cada palavra dele):

“Como qualquer pessoa gostaria de ter uma vida longa.


A longevidade é uma ideia agradável. Mas isso agora não me preocupa. Só quero cumprir a vontade de Deus.


Ele permitiu-me subir à montanha, olhei para lá da montanha e vi a terra prometida.


Posso não chegar lá convosco, mas quero que saibam, hoje, que nós, como povo, chegaremos à terra prometida! Por isso, esta noite estou feliz. Não há nada que me preocupe. Não temo homem nenhum. Os meus olhos viram a glória da chegada do senhor”.

Umas horas depois deste discurso Martin Luther King morre assassinado com um único tiro na varanda de um hotel.

Agora volte a ler o discurso de Martin e veja o que eu vi.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ainda tem sentido falar de Etnias?

Quando escrevi o poema «Etnia Chicoronho», estava profundamente nostálgico. Este é um poema em homenagem à etnia esquecida pelos estudiosos em antropologia, oriunda do Sudoeste de Angola. Quando vi o blog da Pilico, fiquei muito feliz porque o poema ganhou outra dimensão.


Contudo, importa esclarecer que a definição do termo etnia é a única cientificamente correcta para categorizar grupo de pessoas. Nunca confundir Etnia com o termo «raça»

Ou seja, no sensos latos ainda se houve muito o termo «raça». O termo "raça caucasiana" foi criado pelo filósofo Christoph Meiners no século XVIII, mas só se popularizou no século XIX. Desde o século XVIII, termo raça passou a ser usado como instrumento politico e é sobretudo associado a discursos rácicos. Infelizmente devido à ignorância de muitas pessoas, inclusive de professores universitários, o termo «raça» é ainda muito utilizado.

O termo «raça» para além de ser ignóbil é estúpido porque, na classificação dos seres vivos, nomeadamente na dos seres humanos só se pode classificar de espécie Homo sapiens – na qual, não há ausência de diferenciação genética. Portanto, inexistem raças humanas do ponto de vista biopolítico matematicamente convencionado pela maioria. No "Código Internacional de Nomenclatura Zoológica" (4ª edição, 2000) .

Todos os membros da espécie são semelhantes, então a espécie não pode ser dividida em subcategorias com significado biológico.

Por tudo isto que acabei de explicar, surgiu o termo ETNIA.

O conceito etnia deriva do grego ethnos, cujo significado é povo. A etnia representa a consciência de um grupo de pessoas que se diferencia dos outros. Esta diferenciação ocorre em função de aspectos culturais, históricos, linguísticos, raciais, artísticos e religiosos. A etnia não é um conceito fixo, podendo mudar com o passar do tempo. O aumento populacional e o contato de um povo com outros (miscigenação cultural) pode provocar mudanças numa determinada etnia. Geralmente usamos o termo etnia para nos referirmos à grupos indígenas ou de nativos. Porém, o termo etnia pode ser usado para designar diversos grupos étnicos existentes no mundo.

Contudo, ponho actualmente a hipótese do termo etnia ser eliminado porque no mundo globalizado é cada vez mais dificil termos etnias no seu verdadeiro sentido do termo.

Por outro lado, o termo etnia não sendo grave como o termo «raça», não deixa também de ser um terno em certa medida politico. Quando no século XIX os europeus se aproximaram das sociedades africanas começaram a usar o termo “Tribo” no sentido claramente pejorativo. “O que é curioso, é que quando os europeus se referem a si próprios nunca usam o termo “etnia”, eles se designam de “Povos”, mas aos africanos dizem “etnia ou tribo”. Da mesma forma que os Bascos e os Catalães, na Espanha, são povos o mesmo deve ser atribuído aos Nganguelas Bailundos, entre outros. Por isso coloco a hipótese da mudança de nomes para designar os povos africanos.

CHICORONHO no YOUTUBE e Blog!!!!

Com o contributo da grande familia Angolana, nomeadamente a grande familia Chicoronho, paulatinamente vai sendo divulgado a etnia esquecida pelos antropologos, oriunda do sudoeste de Angola.
Por isso não deixem de ver o seguinte blog:

 http://sandularte.blogspot.com/search/label/Etnia%20Chicoronho


Um blog brilhantemente construido pela chicoronho Pilico, conhecida pelos portugueses por Ana Paula.