O Livro

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Apresentação do Livro CHICORONHO

Apresentação do Livro CHICORONHO
FNAC Almada - 17/04/2010

Apresentação do Livro CHICORONHO

Apresentação do Livro CHICORONHO
FNAC Algarve - 24/01/2010

Vídeos da apresentação do livro CHICORONHO

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A história trágica da Madeira descrita no livro CHICORONHO repete-se no dia 20 de fevereiro de 2010

Livro Chicoronho, pag.19 e 20.

- Já viu mãezinha, choveu a noite toda e agora parece que ela está a ganhar força! – Falou João em tom apreensivo, entretanto surgiu sua irmã Maria que tinha acabado de acordar com a chuva intensa que batia na janela.


- Bem, hoje parece que está a cair o céu em cima de nós! Ainda bem que estás aqui perto de nós mano João! – desabafou Maria, aliviada de ter ali o seu irmão.


A cada minuto que passava, a chuva caía como nunca se tinha visto, parecia um autêntico dilúvio, o pior é que os solos estavam a ficar totalmente saturados, por causa da chuva ininterrupta da noite anterior.


Das vertentes abruptas a agua que caia em forma de cascata, rapidamente se tinha transformado em rios que arrastavam consigo pedras cada vez maiores.


De repente:


OOOOOOOORRRRRRRRBUUMMMM


- Mãããeeeeeee, segura-te!! - gritava desesperada Maria.


Parte da casa, tinha acabado de ruir, e uma corrente de água fortíssima agora ocupava o que dantes era a cozinha.


Dona Bettencourt é arrastada pelas águas, mas fica presa entre uma grande rocha e a parede da casa.


João grita para Maria:


- Afasta-te Maria, foge para o outro lado da casa! Mãe aguenta que eu vou-te buscar! – grita João que atira-se à água.


Contudo, a energia da água era verdadeiramente assustadora e demasiado forte, para uma senhora idosa como era a mãe de João.


- A água está com muita força! - gritava Dona Bettencourt, já desesperada com a água a dar-lhe pelo pescoço. Ambos tinham de fazer muita força para aguentar aquela intensa correnteza - Salva-te tu, meu filho!


- Calma mãe, estou quase a segurar-te! Estica agora o braço, vamos, rápido mãe!


Repentinamente a rocha que tinha impedido Dona Bettencourt de ser arrastada pelo rio de lama, desloca-se e ela é levada brutalmente pela corrente.______________________________________________________________________________________________________
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Acabei de transcrever, do livro CHICORONHO um dos episódios mais difíceis que os madeirenses no dia 9 de Outubro de 1803viveram, mas infelizmente a história repete-se no dia 20 de Fevereiro de 2010, a Ilha da Madeira e os madeirenses voltaram a viver um dilúvio catastrófico, descrito no meu livro que até ao dia de hoje já foram contados 42 vítimas mortais, com mais de uma centena de feridos, duas centenas de desalojados e um número indeterminado de desaparecidos.


Estou certo que todos os angolanos e especialmente os CHICORONHOS, estão solidários com povo madeirense neste momento tão difícil, terra e povo que se cruzou para sempre com Angola, principalmente com o Sudoeste de Angola.

2 comentários:

  1. Não é fácil viver numa ilha, e se ela for montanhosa, tudo se complica exponencialmente.
    Por isso abomino os palradores do "continente" quando se põem a regurgitar sobre os Açores ou a Madeira.
    Como tive oportunidade de dizer, o teu livro "Chicoronho" conta em leves mas reluzentes pinceladas uma epopeia que precisa ser explorada e divulgada. Ajudas a manter a porta aberta com este romance. Só temos que agradecer.

    Um Forte Abraço Angolano
    Valério Guerra

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  2. MADEIRA, 20/02/010

    Era noite e choveu
    todo o desgosto do mundo
    e às nove da manhã
    a terra prometida
    de repente ensandeceu:

    a água trazia terra
    e árvores e pedras e casas
    e haveres que deixavam de o ser
    e vidas que partiam para morrer
    e os olhos começaram a duvidar
    se não seria uma guerra

    porque a terra prometida
    não iria roubar-lhes a vida!

    Mas roubou!

    E de entre o horrendo trambolhão
    que a natureza espalhou,
    o silêncio que arde
    e queima e estropia
    começou:

    a dor que morrerá
    à entrada de um dia
    num lugar que se não sabe;

    a dor dos inocentes
    e das preces condicentes!

    Valério Guerra

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